
Estão estes dias que já são apenas o resto do inverno, dos casacos e sobretudos, da roupa bege, castanha e preta. Não há mal nenhum no engano do apresentador ao dizer o nome de Sócrates (isto, se não foi alguma aposta ou bravata). Mas, feito o trocadilho, Sócrates não diz nada? Não chega ao microfone e não diz: este senhor apresentador é um maroto?, ou uma outra piada qualquer que permitisse aos assistentes rir e afastar o peso da situação? Lembrei-me de quando os homens diziam ordinarices às mulheres, nas ruas de Lisboa, e a elas nem o olhar lhes tremia - como se não ouvissem.
António Nobre, Despedidas
Anda tudo tão triste em Portugal!
Que é dos sonhos de gloria e d'ambição?
Quantas flores do nosso laranjal
Eu irei vêr cahidas pelo chão!
Meus irmãos Portuguezes, fazeis mal
Em ter ainda no peito um coração.
Talvez só eu! (Amôr ai tu m'entendes!)
possa ainda ter a paz que já não tendes.
Que é dos sonhos de gloria e d'ambição?
Quantas flores do nosso laranjal
Eu irei vêr cahidas pelo chão!
Meus irmãos Portuguezes, fazeis mal
Em ter ainda no peito um coração.
Talvez só eu! (Amôr ai tu m'entendes!)
possa ainda ter a paz que já não tendes.
António Nobre, Despedidas



